
A engenharia social é um dos meios mais utilizados de
obtenção de informações sigilosas e importantes. Isso
porque explora com muita sofisticação as "falhas de
segurança dos humanos". As empresas investem fortunas em
tecnologias de segurança de informações e protegem
fisicamente seus sistemas, mas a maioria não possui
métodos que protegem seus funcionários das armadilhas de
engenharia social. A questão se torna mais séria quando
usuários domésticos e que não trabalham com
informática são envolvidos.
Uma definição aceitável do que é a engenharia social é
a seguinte: engenharia social é qualquer método usado para
enganação ou exploração da confiança das pessoas para a
obtenção de informações sigilosas e importantes. Para
isso, o enganador pode se passar por outra pessoa, assumir
outra personalidade, fingir que é um profissional de
determinada área, etc.
Os ataques de engenharia social são muito freqüentes,
não só na Internet, mas no dia-a-dia das pessoas. Mas,
pelo fato do InfoWester ser um site ligado à computação,
este artigo tratará apenas dos ataques que envolvem a
Internet. Sendo assim, vejamos alguns casos comuns:
Vírus que se espalham por e-mail: criadores de
vírus geralmente usam e-mail para a propagação de suas
criações. Na maioria dos casos, é necessário que o usuário
que receber o e-mail execute o arquivo em anexo para que
seu computador seja contaminado. O criador do vírus pensa
então em uma maneira de fazer com que o usuário clique no
anexo. Uma dos métodos mais usados é colocar um texto que
desperte a curiosidade do internauta. Assim, o texto pode
tratar de sexo, de amor, de notícias atuais, etc. Um dos
exemplos mais clássicos é o vírus I Love You, que chegava
ao e-mail das pessoas usando este mesmo nome. Ao receber a
mensagem, muitos pensavam que tinham um(a) admirador(a)
secreto(a) e na expectativa de descobrir quem era,
clicavam no anexo e contaminam o computador. Repare que
neste caso, o autor explorou um assunto que mexe com
qualquer pessoa.
Alguns vírus possuem a característica de se espalhar
muito facilmente e por isso recebem o nome de
worms (vermes). Aqui, a engenharia social também pode
ser aplicada. Imagine, por exemplo, que um worm se espalha
por e-mail usando como tema cartões virtuais de amizade. O
internauta que acreditar na mensagem vai contaminar seu
computador e o worm, para se propagar, envia cópias da
mesma mensagem para a lista de contatos da vítima e coloca
o endereço de e-mail dela como remetente. Quando alguém da
lista receber a mensagem, vai pensar que foi um conhecido
que enviou aquele e-mail e como o assunto é amizade, pode
acreditar que está mesmo recebendo um cartão virtual de
seu amigo. A tática de engenharia social para este caso,
explora um assunto cabível a qualquer pessoa: a amizade.
E-mails falsos (scam): este é um dos tipos de
ataque de engenharia social mais comuns e é usado
principalmente para obter informações financeiras da
pessoa, como número de conta-corrente e senha. Neste caso,
o aspecto explorado é a confiança. Boa parte dos criadores
desses e-mails são criminosos que desejam roubar o
dinheiro presente em contas bancárias. Porém, os sistemas
dos bancos são muito bem protegidos e quase que
invioláveis! Como é inviável tentar burlar a seguranças
dos sistemas bancários, é mais fácil ao criminoso tentar
enganar as pessoas para que elas forneçam suas informações
bancárias. A tática usada é a seguinte: o criminoso
adquire uma lista de e-mails usados para SPAM que contém
milhões de endereços, depois vai a um site de um banco
muito conhecido, copia o layout da página e o salva em um
site provisório, que tem a url semelhante ao site do
banco. Por exemplo, imagine que o nome do banco seja Banco
InfoWester e o site seja www.infowester.com. O criminoso
cria um site semelhante: www.infoweste.com ou
www.imfowester.com ou www.infowezter.com, enfim. Neste
site, ele disponibiliza campos específicos para o usuário
digitar seus dados confidenciais. O passo seguinte é
enviar um e-mail à lista adquirida usando um layout
semelhante ao do site. Esse e-mail é acompanhado por um
link que leva ao site falso. Para fazer com que o
internauta clique no link, o texto da mensagem pode, por
exemplo, sugerir uma premiação: "Você acaba de ser
premiado com 10 mil reais. Clique no link para atualizar
seu cadastro e receber o prêmio". Como a instituição
bancária escolhida geralmente é muito conhecida, as
chances de que o internauta que recebeu o e-mail seja
cliente do banco são grandes. Assim, ele pode pensar
que de fato foi o banco que enviou aquela mensagem,
afinal, o e-mail e o site do link tem o layout da
instituição. Como conseqüência, a vítima ingenuamente
digita seus dados e dias depois percebe que todo o
dinheiro da sua conta sumiu! Repare que em casos assim, o
golpista usa a imagem de confiabilidade que o banco tem
para enganar as pessoas.
Quando a questão é e-mail falso, as possibilidades de
enganação são grandes, pois as pessoas gostam de receber
e-mails. Assim, mensagens falsas que dizem que o
internauta recebeu um cartão virtual ou ganhou um prêmio
de uma empresa grande são comuns. Independente do assunto
tratado em e-mails desse tipo, todos tentam convencer o
internauta a clicar em um link ou no anexo. A forma
utilizada para convencer o usuário a fazer isso é uma
tática de engenharia social.
Salas de bate-papo (chat):
esse é um dos meios mais perigosos de enganação e costumam
vitimar principalmente crianças e adolescentes. O perigo
ocorre porque a conseqüência do golpe pode trazer danos
físicos e morais à pessoa. Nas salas de bate-papo, os
golpistas vão ganhando a confiança da futura vítima
através da conversa. Por este meio, ele aos poucos vai
convencendo a pessoa a fornecer seus dados, como telefone,
endereço residencial, endereço escolar, etc. Um criminoso
pode, por exemplo, entrar em uma sala de bate-papo para
jovens e dizer coisas que convencem uma adolescente de 13
anos de que ele pode ser seu namorado perfeito. Ela então
fornece seus dados ou marca um encontro na expectativa de
ver seu "príncipe encantado". Outro exemplo pode ocorrer
com um garoto que, não vendo a hora de ter sua primeira
relação sexual, acredita na conversa de uma suposta garota
bonita que está louco para conhecê-lo. Em ambos os casos,
as conseqüências podem ser terríveis. Golpes assim também
podem ser aplicados em adultos. Por exemplo, com uma
mulher divorciada e que usa um chat esperando encontrar um
novo parceiro.
Existem outros tipos de ataque de engenharia social
além dos citados acima. A questão é séria e mesmo uma
pessoa dotada de muita inteligência pode ser vítima. Só
para dar uma noção da dimensão do problema, muitos hackers
atingem seus objetivos através de técnicas de engenharia
social. E tudo porque o humano é um ser que, ao contrário
dos computadores, é constantemente afetado por aspectos
emocionais.
A melhor arma contra a engenharia social é a
informação. De nada adiante as empresas usarem sistemas
ultra-protegidos se seus funcionários não tiverem ciência
dos golpes que podem sofrer (repare que neste caso, os
golpes de engenharia social podem ocorrer não só pela
Internet, mas principalmente no próprio ambiente de
trabalho). No caso dos usuários domésticos, os pais devem
informar a seus filhos sobre os perigos existentes e de
igual forma, devem tomar cuidado quando estiverem
navegando na Internet.
O grande problema é que muitos internautas,
independente da idade, estão "dando seus primeiros passos
na Internet" e não têm noção dos perigos existentes nela.
Muitos ficam maravilhados com a "grande rede" e tendem a
acreditar em tudo que lêem nesse meio. Felizmente, muitos
provedores de acesso à Internet e a mídia como um todo tem
dado atenção aos golpes existentes na Internet e ajudado
na divulgação das formas de prevenção. Mas ainda há muito
a ser feito e se governos e entidades especializadas não
levarem o assunto a sério, a Internet será tão perigosa
quanto andar sozinho num lugar escuro e desconhecido.
Emerson Alecrim, em 12/09/2004.
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